quinta-feira, 29 de março de 2007

As epidemias propagam-se

A saúde pública espanhola, um dos grandes marcos da era democrática, está a perder a credibilidade e confiança dos seus utilizadores. Em menos de quatro anos o número de pessoas que preferem ser atendidas num centro público em vez do privado desceu 10 por cento.

Entretanto,
pode ser que dando os pés
se consiga
o que falhou ao dar as mãos



São brancos Senhor
os pés que rodeiam o vazio
vistos do seu interior.
Não são brancos Senhor
os corpos a quem pertencem
os pés que rodeiam o vazio
o vazio que parece um mundo
redondo, redondo e oco
verde queimado
lixado.
Não são brancos Senhor
não têm brincos nem tatuagens
mas têm barrigas
barrigas grandes inchadas
e
até sabem vestir uniformes
usar armas
ser homens.
Sabem? Não sabem Senhor.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Simplexamente informatizado


"O que está em causa é a transmissão em tempo útil e em condições de modernização tecnológica, que ainda não existe, mas que vai existir em breve",
então, os registos de nascimentos dos bebés serão feitos na unidade de saúde onde nascem
e o dos óbitos vão ser transmitidos electronicamente no sentido das patologias poderem ser consideradas em tempo útil,
explicou o ministro da Justiça.
*************
Viver é
unir os cimentos e as areias
ficar rodeado de eras trepadeiras
fechar as janelas e deixar as paredes transparentes
apagar a luz e preencher a sala com brilhantes
ouvir
ouvir as aves
ouvir as águas
ouvir as árvores
ouvir o coração
ouvir
e
pensar
pensar no mundo visto do ninho
pensar como sendo um moinho
pensar tal fruto sucolento
pensar como um apaixonado
pensar
e...

terça-feira, 27 de março de 2007

O véu



Há 70 SAP´s que estão abertos de noite,
todos com menos de dez atendimentos por noite, e a média de 3,4 atendimentos”,
afirma o ministro da Saúde que não esclarece se os 70 serviços nocturnos dos SAP´s vão ser encerrados,
mas refere que os 70 médicos desses serviços representam menos 1400 consultas no dia seguinte.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Vale?

A Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor denunciou na terça-feira diversas reclamações de clientes de farmácias que estão a ser colocados em «lista de espera» por não haver os medicamentos genéricos de que precisam.
Em comunicado, a Delegação do Norte da Deco critica estas «verdadeiras barreiras» à comercialização dos «genéricos» e alerta para os riscos que o consumidor corre ao ter de esperar que os medicamentos cheguem às farmácias.
«Esta situação é particularmente gravosa, atendendo ao facto de as receitas do Serviço Nacional de Saúde e subsistemas possuírem um período de validade, o que poderá conduzir a situações em que o medicamento genérico só é colocado à disposição do consumidor após o prazo de validade», lê-se no comunicado.
Segundo a Deco, as farmácias têm responsabilizado os laboratórios por não estarem a fornecer atempadamente os medicamentos genéricos.
Fonte: Lusa 26 de Março de 2003
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As 204 novas farmácias que as autoridades de saúde vão criar devem estar a funcionar dentro de um ano, sendo publicada hoje, em Diário da República, a lista dos farmacêuticos contemplados.
Assim, por distrito,vão ser criadas
12 novas farmácias em Aveiro,
1 em Beja,
31 em Braga,
8 em Bragança,
1 em Castelo Branco,
1 em Coimbra,
3 em Faro,
2 na Guarda,
5 em Leiria,
43 em Lisboa,
52 no Porto,
14 em Santarém,
8 em Viana do Castelo,
12 em Vila Real e
4 em Viseu.

Brincando às carreiras

Artigo do Dr. Carlos Costa Almeida*
É ponto assente entre os médicos portugueses já com prática clínica significativa que as carreiras médicas foram um dos pilares do nosso Serviço Nacional de Saúde e condição que permitiu, a par de uma formação médica pré-graduada de qualidade e que não coloca, de maneira nenhuma, mal o nosso país no Mundo ocidental, que os nossos especialistas também possam ombrear com os seus colegas ocidentais, apresentando uma preparação profissional com o mesmo nível de qualidade num país muito mais pobre — e agora a ficar decididamente para trás nesta Europa superalargada, se não se conseguir entretanto aumentar o nosso produto interno bruto, em fase descendente. As carreiras não só permitiram uma formação médica estruturada e contínua, como souberam criar, com naturalidade e insensivelmente, os estímulos necessários e suficientes para a obtenção dessa formação. E, aspecto muito importante, uma formação homogénea, nos grandes hospitais como nos pequenos, quer no Litoral quer no Interior mais recôndito, com uma cobertura nacional de especialistas de qualidade, permitindo que todos os portugueses possam aspirar a ser bem tratados sem terem de se deslocar para longe da sua casa e da sua família, e muito menos para o estrangeiro.
Carreiras médicas acabaram
Mas a verdade é que as carreiras médicas acabaram. Não por decreto ou anúncio na televisão, mas na prática e na decorrência directa do novo regime de gestão hospitalar. Foi este, na verdade, que as matou.
Passou a haver contratações apenas em regime individual de trabalho, e para os médicos que já estavam integrados nas carreiras o grau ou o lugar que nelas ocupavam deixou de contar seja para o que for, a não ser para, prosaicamente e como sinal dos novos tempos que aí estão, de primado do dinheiro na saúde, ganharem de maneira diferente uns dos outros. Mas o sinal mais evidente, e o primeiro a mostrar que as carreiras já estavam condenadas a desaparecer pelo Governo e seus comissários políticos nos hospitais, foi o modo como se passaram a nomear os directores de serviço nos hospitais EPE, e até já antes nalguns hospitais SPA, nestes ao arrepio da lei mas com a cobertura da tutela.
O director de serviço é o encarregado da gestão do serviço, sendo que esta não se pode entender separadamente da actividade clínica, estando forçosamente imbricada com ela, uma vez que não se deve confundir — como alguns, intencionalmente ou por ignorância, pretendem — com uma gestão contabilística ou de guarda-livros. O director de serviço tem, pois, de ser uma referência profissional entre os colegas, o profissional com mais experiência e provas dadas, mais graduado em termos de hierarquia técnico-científica, mais conceituado dentro e fora do serviço e do hospital. É a ele que é confiada a formação pós-graduada, é ele quem escolhe os orientadores de formação, o responsável pelos internos e pela actividade científica e de investigação do grupo de trabalho que o serviço constitui.
Nomeação por «achismo»
Com lógica, a sua escolha, definida na lei, era feita entre os que no serviço tinham atingido o topo da carreira médica, depois de ouvidos todos os outros para se auscultar a sua aceitação. Agora é imposto pelo conselho de administração, independentemente do grau da carreira, sem quaisquer regras ou critérios definidos, a não ser o de possuir o «perfil» adequado. Qual perfil? O que o conselho de administração ache que é o adequado. Porventura, o mesmo que alguém achou também que os seus membros tinham para integrar aquele conselho. É o «achismo», a nova forma de nomeação nos hospitais públicos no nosso país. Que, como se adivinha, abre as portas escancaradas ao «amiguismo» e ao compadrio, os quais, valha a verdade, sempre tentaram marcar presença entre nós. Mas que só agora ficaram institucionalizados.
E as nomeações sucedem-se, de amigos e compadres por amigos e compadres, num «achismo» eventualmente temperado por quezílias pessoais, pequenas ou grandes invejas, desentendimentos e vinganças, e muito, muito oportunismo. E sem falar também do modo deselegante — para dizer o menos — como muitos directores têm sido afastados e substituídos, sem qualquer explicação, manifestação só por si preocupante de desrespeito humano, impunidade e arbitrariedade.
É claro que um dia se irá inevitavelmente regressar ao primado da competência, das provas dadas, da diferenciação técnica, da hierarquia profissional assente em conhecimentos e experiência, e uma onda virá que leve de volta ao local de onde saíram tantos dos novéis gestores de serviço agora achados. Mas não sem que fiquem marcas negativas nos serviços, nos hospitais e na Saúde, e por isso é bom que tudo se registe agora, como memória futura para se poderem mais tarde fazer as correcções adequadas.
Concursos para quê?
Ora, paralelamente a esta situação, continuam nos hospitais EPE os concursos da carreira médica, seja para a graduação em consultor seja para o lugar de chefe de serviço. E para quê?! Concursos numa carreira acabada? Brinca-se às carreiras médicas? Ou desempenha-se um papel imaginário numa realidade desaparecida, como loucos encerrados num manicómio que piedosamente se deixam viver convencidos de que são personagens que já não existem? E que assim vão continuar até morrerem ou, neste caso, até se reformarem, extinguindo-se os seus lugares mal isso aconteça.
Porquê isto?
Com certeza que todos têm direito a progredir na carreira, todos tinham expectativas de o fazer e ficamos contentes que o façam, isso não está em causa. Como também os que tinham atingido o topo tinham expectativas acerca disso, agora goradas. Porque um facto é que a carreira médica acabou, e a progressão nela deixou de ter finalidade, a não ser ganhar mais fazendo exactamente o mesmo.
Se o único objectivo desses concursos agora parece ser o de permitir que alguns médicos passem a ganhar mais, por que razão eles são abertos na lógica governamental vigente de poupar o mais possível na Saúde? A explicação razoável é que se gasta algum dinheiro para procurar manter os médicos de carreira hospitalar entretidos, na ideia de que está, afinal, tudo na mesma, iludindo assim os seus próprios protestos. Porque eles são os que compreendem melhor a importância das carreiras médicas e serão os primeiros a protestar pelo seu desaparecimento. Que já aconteceu, apesar dos concursos a decorrer…
Estes concursos, na verdade, não fazem sentido no momento actual, embora se devam, com certeza, aproveitar. O que não nos devem é fazer esquecer o fim real das carreiras médicas, nem abrandar sequer o movimento de lutar pelo seu ressurgimento, como factor verdadeiramente crucial de qualidade e progresso na Medicina e na Saúde do nosso país, pese embora o que delas o Ministério da Saúde pensa — ou não pensa.
*Presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Carreira Hospitalar
Subtítulos e destaques da responsabilidade da Redacção
transcrito de TM 1.º CADERNO de 2007.03.26 0612371C22607JMA12A

domingo, 25 de março de 2007

1/2 à vista


Centros Saúde
O Governo tem uma lista secreta de 56 Serviços de Atendimento Permanente nos Centros de Saúde a encerrar em todo o país. A lista, elaborada pelo Ministério da Saúde em Agosto do ano passado, já começou a ser cumprida.
Há 13 SAP que já deixaram de funcionar durante a noite, mas há mais 43 que deverão fechar portas, a menos que o Governo recue nos seus planos.
TVI - Informação (25/03/2007 13:03) e outros MCS


Diz-se que a Lista detalhada dos SAP a encerrar é:
Região Norte:

Caminha Monção Paredes de Coura Murça Alfândega da Fé Carrazeda de Ansiães Vila Flor Vimioso Freixo de Espada-à-Cinta Vieira do Minho
Região Centro:
Castelo de Paiva Mealhada Oliveira do Bairro Sever do Vouga Vale de Cambra Oleiros Condeixa-a-Nova (Encerrada) Góis Lousã (Encerrada) Miranda do Corvo (Encerrada) Montemor-o-Velho Oliveira do Hospital Penacova (Encerrada) Penela Soure (Encerrada) Tábua Vila Nova de Poiares (Encerrada) Norton de Matos - Coimbra (Encerrada) Aguiar da Beira Almeida Celorico da Beira Figueira Castelo Rodrigo Fornos de Algodres Gouveia Manteigas Meda Pinhel Sabugal Trancoso Nazaré Marinha Grande Armamar Castro Daire Resende Santa Comba Dão Vouzela
Região de Lisboa e Vale do Tejo:
Ourém (Encerrada) Azabmbuja (Encerrada) Cadaval Lourinhã (Encerrada) Sesimbra Grândola
Região do Alentejo:
Beja (Encerrada) Montemor-o-Novo Silves (Encerrada) Lagos (Encerrada)

Cadê os outros com igual movimento? Porque não fecham? Adivinhem.

sábado, 24 de março de 2007

Estradas feitas por ingleses