sexta-feira, 9 de março de 2007

Freguesias e cons(c)elhos


Quatro juntas de freguesias da Maia lançam em Abril um serviço de medicina e enfermagem ao domicílio, a preços reduzidos, para acabar com a imagem «degradante» dos utentes que madrugam para «esmolar» consulta, disse hoje fonte autárquica, noticia a Lusa.
O acesso ao serviço implica o pagamento de uma mensalidade de dois euros e os domicílios custam entre três euros (enfermagem) e cinco (medicina geral). A iniciativa pertence à Associação de Freguesias do Vale do Leça (Avale), que congrega as freguesias de Águas Santas, Gueifães, Milheiros e Pedrouços.
Dos 53 mil habitantes das quatro freguesias (metade da população do concelho da Maia), 18 mil não têm médico de família, apesar da existência de uma densa rede de centros de saúde, constituída por cinco unidades.
«Com a introdução deste serviço, queremos acabar com a imagem degradante de pessoas que se levantam às cinco da manhã para esmolarem uma consulta de vaga no centro de saúde, como se fosse pedintes», afirmou à Lusa o presidente da Avale, Mário Gouveia.
População adere
O autarca perspectiva que 20 mil dos 53 mil habitantes das quatro freguesias adiram ao serviço, que vai custar 500 mil euros/ano, mas que se prevê gere receitas suficientes para cobrir a despesa.
«A não ser que haja epidemia, as receitas vão ser suficientes», frisou. Para incentivar a adesão ao serviço, a Avale iniciou uma campanha de distribuição, porta a porta, de fichas de inscrição e prospectos explicativos. «Só na minha freguesia, que tem cinco mil habitantes, já aderiu 30 por cento da população», disse Mário Gouveia.
Numa primeira fase, o serviço vai funcionar em dois pólos - Pedrouços/Águas Santas e Gueifães/Milheiros - com um médico e um enfermeiro por equipa, apoiados por uma viatura. Dois meses depois, a Avale vai lançar uma clínica para cuidados médicos de especialidade, que ficará instalada na sede da Junta de Freguesia de Milheiros.
Medicina dentária, cardiologia, oftalmologia, ginecologia e obstetrícia são algumas das especialidades a cobrir, numa selecção que considerou as maiores lacunas no serviço prestado pelos centros de saúde.
Médicos trabalham por solidariedade
Alguns dos profissionais de saúde já recrutados «são amigos dos nossos amigos» e outros foram escolhidos na sequência de um anúncio de jornal, explicou Mário Gouveia. «De todo o modo, são todos profissionais que estão no projecto numa perspectiva de solidariedade», sublinhou.
Os primeiros pagamentos aos profissionais serão feitos por serviço prestado, mas o presidente da Avale equaciona fixar uma avença. Nas suas declarações à Lusa, Mário Gouveia considerou «inevitável» que todas as outras autarquias venham a assumir, por delegação, a gestão dos cuidados de saúde primários.
«Só espero que essas competências não fiquem centralizadas nas câmaras. Está provado que as juntas de freguesia ou associações de freguesias podem exercer melhor essa função, porque estão mais próximas das populações», sustentou o presidente da Avale.

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